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Filme:Coringa
Assistido: 02/10/2019
UCI -Shopping Anália Franco

Não vou conseguir falar sobre esse filme sem spoiler, então caso você não tenha assistido, recomendo que pare essa leitura agora e vá para o cinema mais próximo, pois é uma experiência que será valorizada com uma tela enorme e um som de respeito, mas é importante que você esteja preparado, pois não é um filme fácil de se digerir, ao mesmo tempo que você cria empatia pelo Joaquin  Phonex como Coringa e busca por motivos para explicar os seus atos, diferente de outras obras que valorizam a história dos vilões não é possível ser cúmplice de suas ações, saí do cinema me sentido péssimo e precisei parar um segundo, refletir e inclusive dizer em voz alta ISSO É UMA OBRA DE FICÇÃO e por mais que tenha fatores que se aproximem da sociedade que vivemos hoje NADA DISSO É REAL! A arte imita a vida não o contrário.
Claramente o Coringa sente-se preso e oprimido com o mundo a sua volta e podemos ver isso quando ele sobe uma escadaria em direção a sua casa, o esforço que ele faz para subir cada degrau nos mostra inclusive que ele não tem vontade alguma de viver, porém quando ele liberta de vez o palhaço dentro de si, desce a escada com uma leveza e dançando, a pura essência da liberdade.


Desde o começo podemos ver que a sua vida não é fácil, ele cogita varias vezes atirar na sua própria cabeça e quando é oprimido pelo seu chefe, extravasa chutando uma lixeira e inclusive caí no lixo, dá pra ver como ele fica frustrado por não se encaixar na sociedade e ele busca desesperadamente por afeto, seja de sua vizinha que ele acaba tendo um interesse amoroso ou pelo seu público que ele tenta se aproximar com o humor.
Diversas vezes ele é prejudicado pela sua  doença da risada, quando ele fica nervoso começa a rir compulsivamente independente do que realmente esta sentindo, para as pessoas que estão a sua volta e não compreendem que seu riso é involuntário, acabam tentando repreender e desaprovam sua risada, para nós que estamos acompanhando sua trajetória e sabemos que ele não gostaria de rir, ficamos com um nó na garganta.
A maneira que o público é enganado com as fantasias que ele tem em relação a vizinha ou a primeira vez que ele participou do programa do Murray, dá o melhor plot twist possível, quando percebemos que ele fica alucinado com coisas que não viveu, passamos a duvidar de tudo o que vimos até o momento e gera boas discussões entre pessoas que assistiram o filme.
No filme nos é apresentado a jornada do Arthur, conseguimos ver ele tentando se encaixar na sociedade e sempre tomando pancadas, por diversas vezes ele tenta reagir porém nunca teve forças para isso, após um dia ruim e tendo uma arma em mãos ele dá o primeiro passo por um caminho que não tem mais volta, ele mata os três jovens no metrô e se embriaga com a sensação de ser notado, de existir e se sentir vivo, a cada passo que ele dá o Arthur fica para trás e ele se aproxima de virar o Coringa.

Gotham  também está fragilizada e quase entrando em colapso, logo no começo do filme vemos as notícias na TV sobre epidemia de ratos e também a pobreza e desigualdade social está em todos os lugares, os cidadãos encontram no palhaço justiceiro um símbolo e começam a fazer manifestações, sem consciência que isso só agrava o quadro do Coringa, literalmente estão batendo palmas pra maluco.

Diversas cenas chamam a atenção pela sua estética, gostaria de mencionar uma tomada onde o Arthur está deitado encolhido na cama e uma tomada feita por cima mostra um jornal com um palhaço, a arma no criado mudo e TV ligada, isso me fez sentir um vazio e um sensação de estar sozinho, quando um filme nos prende com sua história e consegue aflorar sentimentos nos faz aproximar e se importar com o que vemos em tela.


Nota: 10